A Defesa Nacional deixou de ser um domínio restrito às Forças Armadas para assumir um papel central na estratégia económica, industrial e tecnológica de Portugal. Essa foi a principal conclusão do 6.º Fórum Económico Famalicão Made IN que ontem reuniu decisores políticos, líderes empresariais e especialistas na Casa das Artes de Famalicão, onde foi discutido o investimento em Defesa, as estratégias e como a indústria de defesa e militar pode transformar o posicionamento do país na economia europeia.
O fórum, subordinado ao tema “A Melhor Defesa é a Inovação”, evidenciou que o setor é hoje muito mais do que segurança militar e que a indústria, a investigação e inovação podem caminhar de mãos dadas para construir oportunidades que contribuam para a paz e para a cadeia de valor económico.
Entres os presentes e oradores convidados estiveram o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, o Vice-Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, Paulo Portas, que fez a abordagem à defesa, inovação e indústria para uma soberania económica competitiva, a que se seguiu debate com intervenções de Miguel Braga do CEIIA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento, Pedro Petiz, diretor de Desenvolvimento Estratégico do grupo empresarial TEKEVER e de Braz-Costa, diretor-geral do CITEVE e presidente do CeNTI, Ricardo Pinheiro Alves, presidente da IDD Portugal Defense, António Baptista, diretor-geral de Armamento e Património da Defesa Nacional e de Fernando Cunha, CEO da Beyond Composite, tendo o vereador da Economia e Empreendedorismo do Município de Famalicão, Augusto Lima, encerrado a iniciativa.
A abertura do encontro esteve a cargo de Mário Passos e Nuno Melo. O autarca famalicense evidenciou os dados macroeconómicos do concelho e o caminho que o território está a trilhar para o futuro, com um ecossistema de inovação que liga indústria, escolas, formação profissional, ciência, centros tecnológicos, empreendedorismo e políticas públicas.
“Famalicão é um território industrial e exportador, mas, é cada vez mais um espaço de inovação aplicada, que exporta tecnologia e soluções para o mundo”, exemplificando com o conjunto de empresas “altamente competitivas” sediadas no concelho.
“Quando hoje afirmamos que a melhor defesa é a inovação, não estamos apenas a enunciar o tema deste encontro, mas sim a afirmar uma visão para o nosso território, para a nossa economia e para o nosso futuro. Num mundo cada mais instável, inovar é defender o futuro, é defender a competitividade, a soberania e a capacidade de os territórios criarem valor”, disse o edil.
Mário Passos lembrou ainda dados recentes, que revelam um investimento de cerca de 63,5 milhões de euros em investigação e inovação e o número crescente de investigadores que desenvolvem projetos em Famalicão. “Somos uma economia que está a transformar a inovação em vantagem competitiva”, afirmou.
Por sua vez, Nuno Melo sublinhou o maior investimento do governo português no setor, com o ministro da Defesa Nacional a realçar o papel de Famalicão, “um território que tão bem conheço, de gente empreendedora e com visão, que nas dificuldades trabalha e vê oportunidades como aquelas que a indústria de Defesa aqui traz”.
Ao longo da tarde foram vários os intervenientes que realçaram a oportunidade estratégica que a indústria nacional pode ter, ao não se limitar a comprar capacidade externa e a usar o investimento em Defesa para subir na cadeia de valor e ganhar escala no espaço europeu.
O Vice-Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, Paulo Portas, foi o principal orador do evento. O ex-ministro afirmou de forma categórica que “não há paz sem Defesa”, defendendo que a prosperidade europeia depende de uma capacidade de segurança credível e que os Estados devem continua a investir neste setor, “orientado para a paz e soberania”.
Paulo Portas também realçou o papel de Famalicão, exemplo de um ecossistema industrial dinâmico “que tem uma capacidade produtiva e exportadora e onde há um interesse muito grande por inovar”, uma análise que justificou com “a sala cheia” para escutar as perspetivas sobre os temas em debate.
Com dois painéis de intervenientes, o debate deu particular destaque às oportunidades e necessidade de Portugal subir na cadeia de valor nesta indústria, com exemplos de projetos em curso que incluem drones, satélites, construção naval e até a possibilidade de uma fábrica de aviões.
Recorde-se que esta sexta edição do Fórum Económico Famalicão Made IN contou com a parceria do semanário Expresso como media partner, num momento particularmente oportuno considerando o contexto de crescente exigência e instabilidade geopolítica.