Histórias, saberes e sabores dão vida à 41.ª Feira de Artesanato e Gastronomia
A 41ª Feira de Artesanato e Gastronomia de Vila Nova de Famalicão abre portas com mais de uma centena de expositores, entre artesãos, produtores gastronómicos e espaços de restauração. Uma representação alargada de diferentes geografias e ofícios, com exemplos de quem preserva a arte e tradição, com histórias de vida feitas de saber, experiência e dedicação, que há mais de quatro décadas ajudam a dar identidade a um dos mais emblemáticos certames do concelho.
Fernando Jorge Ribeiro e José Carneiro são dois desses rostos. Um trabalha o barro com a precisão de quem sabe que uma peça pode demorar semanas até estar concluída. O outro acompanha o ritmo das abelhas e das estações do ano para levar até à mesa o mel. Os dois são famalicenses e vão estar na 41.ª Feira de Artesanato e Gastronomia de Vila Nova de Famalicão, que decorre entre 28 de agosto e 6 de setembro, na Praça Mouzinho de Albuquerque.
Em Oliveira Santa Maria, Fernando Jorge Ribeiro transforma o barro em pequenas obras de arte. Artesão de cerâmica e azulejaria, trabalha cada peça de forma minuciosa, num processo em que o tempo é parte essencial do resultado. “Às vezes podem levar meses a ficar concluídas”, explica quando questionado sobre uma peça inacabada no seu atelier. Entre os elementos mais característicos do seu trabalho estão centenas de pequenas flores, moldadas e aplicadas uma a uma, que obrigam a um olhar atento para perceber a dimensão do detalhe.
O percurso começou no final da década de 1970, na Fundação Castro Alves, e foi sendo construído entre a modelagem, a pintura e a azulejaria. Mais de quatro décadas depois, há peças e murais de azulejo da sua autoria em diferentes pontos do concelho. Este ano, “com mais tempo”, regressa à Feira de Artesanato e Gastronomia. “Levo um conjunto de peças que fui construindo. Estou a trabalhar num presépio e também quero mostrar um mural em azulejo com a Casa de Camilo, em Seide, como cenário”, revela.
Também José Carneiro, apicultor, conhece bem o caminho até ao certame. Desde a década de 1990 que marca presença na feira, com mel produzido nas suas mais de uma centena de colmeias, espalhadas por diferentes pontos do concelho . “Julho e agosto são meses de recolher o mel e, no final do mês, é preparamos a presença na Feira de Artesanato”, explica.
É em Requião que tem a sua pequena oficina de trabalho e onde acontece todo o processo: desde a preparação e montagem das colmeias até à recolha e acondicionamento do mel. Julho e agosto são meses particularmente intensos, dedicados à extração, antes de o produto ser cuidadosamente colocado nos frascos e seguir para a Feira. “É a minha paixão e o meu passatempo”, resume José Carneiro, agora reformado e com ainda mais tempo para se dedicar à apicultura.
É precisamente neste encontro entre pessoas, sabores e produtos que assenta a longevidade da Feira de Artesanato e Gastronomia de Famalicão. Ao longo de dez dias, o centro da cidade volta a transformar-se numa montra do artesanato e da gastronomia portuguesa, onde o visitante pode não apenas comprar uma peça ou provar um produto, mas também conhecer quem está por detrás deles e perceber técnicas e tradições que continuam a passar de geração em geração.
Para o presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Mário Passos, é precisamente esta capacidade de preservar a tradição e, simultaneamente, mantê-la viva e atual que explica a longevidade do evento. “A feira já faz parte da identidade de Vila Nova de Famalicão", refere o autarca, acrescentando que continuar a promover este encontro com o artesanato, a cultura e a gastronomia "é também forma de dinamizarmos a economia local e de promovermos a atratividade do território”.
Na sua 41.ª edição, o certame reúne cerca de 70 artesãos, 30 produtores gastronómicos e 10 espaços de restauração. Programação cultural junta artistas vários locais e concertos com Rui Veloso, Toy e Chico da Tina.
À experiência proporcionada pelos artesãos, produtores e espaços de restauração junta-se uma programação cultural que acompanha os dez dias do certame e combina artistas e grupos locais com nomes reconhecidos da música nacional.
A abertura, a 28 de agosto, fica a cargo da Big Band de Riba d’Ave e Costinha. Pelo palco passarão também Victor Rodrigues, Maria do Sameiro, Alvorada Musical e Maria Gil, a par de momentos dedicados ao folclore e às tradições populares.
Entre os destaques da programação estão Rui Veloso, a 1 de setembro; o Festival de Fado com Joana Amendoeira; Sandy Kilpatrick; Zimbre Brass Band; e Toy, que atua na noite de 4 de setembro. No dia seguinte, sobem ao palco Jess e Chico da Tina. A 41.ª edição encerra a 6 de setembro com Cantares ao Desafio e a Banda Marcial de Arnoso.
A programação da 41.ª Feira de Artesanato e Gastronomia de Famalicão pode ser consultada em aqui .