Encontro Arte e Comunidade reforçou o papel da cultura na inclusão e coesão social

O Teatro Narciso Ferreira, em Riba d’Ave, acolheu no passado sábado, 19 de setembro, o I Encontro Arte e Comunidade, uma iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão que reuniu artistas, profissionais da cultura, técnicos de ação social, representantes de instituições e cidadãos para refletir sobre o impacto das práticas artísticas comunitárias desenvolvidas no concelho.
Ao longo da manhã, foram partilhadas experiências e metodologias de trabalho, num encontro que permitiu fazer um primeiro balanço do trabalho desenvolvido no âmbito do projeto Há Cultura 2024-2027, iniciativa municipal que aposta na descentralização cultural, na criação de novos públicos, na capacitação de agentes locais e na inclusão social através das práticas artísticas.
O encontro apresentou os resultados alcançados através dos quatro projetos-piloto desenvolvidos em 2024 e 2025, das primeiras cinco residências artísticas promovidas pelas Comissões Sociais Inter-Freguesias (CSIF) e da primeira edição do Cinema Paraíso Comunidades, realizada em 2025.
Os números apresentados evidenciam a dimensão do trabalho realizado: 19 instituições sociais e culturais envolvidas, 85 cidadãos participantes, 81 dias de trabalho no terreno e 343 horas de sessões de cocriação, que resultaram em apresentações públicas acompanhadas por 599 espectadores.
A sessão incluiu ainda um momento de reflexão crítica coletiva, mediado pela PELE – Associação Social e Cultural, e uma intervenção da investigadora e programadora cultural Magda Henriques, dedicada ao tema “Arte e Comunidade – Desafios da criação situada”, centrada na relação entre criação artística, território e participação das comunidades.
Mais do que um momento de apresentação de resultados, a vereadora da Cultura, Susana Pereira, destacou que este encontro constituiu-se como “um espaço de diálogo sobre o papel que a cultura pode desempenhar na aproximação entre pessoas, instituições e territórios, valorizando a participação dos cidadãos na construção dos próprios processos artísticos, potenciando e aprofundando as relações dentro das comunidades, ou seja, das pessoas para as pessoas”.
O trabalho desenvolvido no âmbito do Há Cultura resulta de uma rede colaborativa que envolve dez entidades artísticas das áreas das artes performativas, artes visuais e cinema, em articulação com o tecido social e comunitário do concelho. O projeto conta ainda com cofinanciamento da União Europeia, através do Programa Regional Norte 2030. Com intervenção prevista nas dez Comissões Sociais Inter-Freguesias do concelho, o projeto prossegue até setembro de 2027, aprofundando a utilização das práticas artísticas como instrumento de participação, inclusão e desenvolvimento territorial.