Famalicão é cada vez mais referência para quem visita o norte
Na Quinta das Pirâmides, o verde toma conta das vistas, o silencio das paisagens ecoa por cada um dos recantos e a água corre de forma natural. Ao percorrer os espaços, Camilo Castelo Branco é presença notada pela casa, hoje transformada em pequeno hotel. À volta há ainda as vinhas de alvarinho, os campos de mirtilos, os caminhos rurais ladeados de árvores autóctones. Tudo isto transformado num refúgio de enoturismo na freguesia de Telhado, que recebe turistas de todo o mundo ao longo do ano.
Foi precisamente neste cenário que o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Mário Passos, acompanhado do vereador do Turismo, Augusto Lima, iniciou esta quinta-feira, 28 de maio, um roteiro dedicado ao turismo, à gastronomia e à valorização dos produtos locais do concelho. A escolha da Quinta das Pirâmides para a primeira paragem não foi acaso. Entre os jardins, os bosques e os cerca de 16 hectares de propriedade, o autarca percorreu uma quinta onde tradição agrícola, património cultural e hospitalidade contemporânea convivem lado a lado. Acompanhado por Manuel Amorim, que adquiriu o espaço em 2010, Mário Passos conheceu de perto os vinhos premiados produzidos na quinta, a cultura do mirtilo e as várias experiências que fazem do espaço um destino cada vez mais procurado por quem procura natureza, autenticidade e uma experiência que traz também Camilo Castelo Branco à memória de quem a visita.
“Este roteiro quer demonstrar e evidenciar que Famalicão está em transformação. Temos turismo, de forma muito significativa e estamos a mostrar que há no nosso território, que movimenta diferentes agentes económicos, e que tem esta particularidade de se espalhar por diferentes pontos do concelho”, afirmou Mário Passos.
O edil destacou o crescimento turístico nos últimos anos, revelando que o número de dormidas em Famalicão aumentou cerca de 120 por cento entre 2019 e 2024. “A Quinta das Pirâmides é um bom exemplo de dinamização turística, permitindo aos hóspedes experimentar diversas vertentes. E estão perto de tudo, de outros centros, de outros polos de turismo, mas aqui podem viver uma experiência distinta”.
Mas para perceber verdadeiramente a essência da Quinta das Pirâmides é preciso recuar no tempo.
Diz a tradição que foi nesta propriedade que Camilo Castelo Branco encontrou inspiração para escrever “A Morgada de Romariz”, integrada nas célebres “Novelas do Minho”. Entre intrigas familiares, paisagens rurais e figuras da aristocracia minhota, a quinta terá servido de pano de fundo emocional para parte do universo literário do escritor. Hoje, essa herança continua viva. Os quartos do boutique hotel recuperado pela família Amorim, homenageiam personagens e obras camilianas, enquanto os à volta, a ‘Casa do Feitor’ ou o antigo celeiro, foram recuperados para experiências mais intimistas para quem procura desacelerar e viver a quinta ao ritmo da natureza.
“A Quinta das Pirâmides procura dar uma experiência única e tradicional, levando as pessoas a reviver o passado”, explica Manuel Amorim. “Os nossos hóspedes têm a oportunidade participar nas vindimas, apanhar mirtilos diretamente do campo ou percorrer os mais de quatro quilómetros de trilhos da propriedade, onde a água brota naturalmente de minas espalhadas pelo terreno. É também daqui que escolhemos os produtos locais e aqui da quinta que oferecemos ao pequeno almoço”.
Quando a família adquiriu a propriedade encontrou um espaço fragmentado pelas antigas estruturas agrícolas típicas das quintas minhotas, a casa principal, a casa do feitor, o celeiro, os espaços dos animais, oficinas e anexos. Aos poucos, tudo foi sendo recuperado, preservando a identidade rural do lugar. “A nossa perspetiva de turismo é recriar aquilo que as quintas eram antigamente, ou seja, espaços autossuficientes em quase tudo e sustentáveis”, sublinha o proprietário.
Esse conceito estende-se à produção agrícola e vínica. Entre as vinhas de alvarinho nasce um vinho verde que tem vindo a conquistar reconhecimento nacional e internacional. O Quinta das Pirâmides Reserva Alvarinho 2021 recebeu recentemente a Grande Medalha de Ouro no Concurso de Vinhos da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, distinção atribuída a apenas três referências entre mais de 260 amostras. Somam-se ainda distinções nos Decanter World Wine Awards e no Concurso Mundial de Bruxelas.
Ao lado do vinho, cresce também a produção de mirtilos, integrada na experiência turística da quinta. São produzidas cerca de 40 toneladas ano.
“É um projeto muito sustentado, muito cuidado. Mais do que um alojamento é uma experiência que tem muito do que o concelho tem para oferecer: a ruralidade minhota, o vinho, a literatura, a gastronomia e as paisagens se misturam e que vale a pena visitar. É esta qualidade do turismo de Famalicão que queremos mostrar e enfatizar com este roteiro”, assinalou Mário Passos.