A Cor também faz Memória de Corre-Pé

Museu Nacional Ferroviário – Núcleo de Lousado
Inauguração: 12 de Setembro às 15h00
As locomotivas contam a história do movimento.
As pinturas de Corre Pé contam a história daqueles que continuam à procura de um Lugar onde se possam reconhecer.
Esta exposição nasce deste encontro. Não pretende ilustrar o museu, nem transformar a pintura num simples comentário ao património ferroviário. O propósito foi outro: permitir que ambos permanecessem fiéis à sua identidade e, ainda assim, dialogassem entre si. Quando isto acontece, o espaço deixa de ser apenas um local de exposição e transforma-se ele próprio numa experiência de descoberta.
A curadoria procura respeitar este equilíbrio. Ouvir o Iugar antes de nele colocar as obras. Compreender o silêncio da arquitetura antes de introduzir a intensidade da cor. E deixar que seja o próprio visitante a estabelecer as ligações entre aquilo que vê e aquilo que recorda.
Porque nenhuma exposição se completa nas paredes que a acolhem. Completa-se acima de tudo no olhar de quem a percorre.
Talvez seja esta a maior qualidade da pintura de Corre Pé. Recordar-nos que a memória não vive apenas nos arquivos, nos museus ou nos objetos que preservamos. Vive também nas imagens que permanecem connosco muito depois de abandonarmos um espaço expositivo. Há rostos que continuamos a rever sem saber exatamente porquê. Há cores que regressam à memória muito depois de esquecermos o título de uma obra.
No fim, percebemos que as viagens nunca pertencem apenas aos comboios. Pertencem, sobretudo, às pessoas. E há cores que, tal como a memória, nunca deixam verdadeiramente de partir nem de regressar.